Novos Desafios para a Educação

Currículo

Maria Amélia Martins Loução | 27/09/13 | Lisbon

O calor do Verão e as férias aproximam-se do fim. É tempo de voltar ao trabalho, assumir novos desafios e, sobretudo, encarar com esperança o ano escolar que se aproxima. “Estudar e aprender” deve ser o lema para o desenvolvimento pessoal e, consequentemente, para odesenvolvimento em geral. O Ministério da Educação e Ciência estabeleceu metas curriculares anuais e objectivas, dando liberdade aos professores e escolas para as organizar e aplicar de modo mais eficiente, desde que no fim do ano os objectivos tenham sido executados. Estes “corredores de liberdade” devem ser bem aproveitados. É tempo de aumentar a qualidade e promover formas de ensino mais apelativas e duradouras. No mundo em que a tecnologia impera, importa combater o seu uso como forma de facilitismo, de procura de conhecimento sem estudo e sem esforço.Pelo contrário, deve-se demonstrar aos jovens que a tecnologia é uma ferramenta passível de ser usada em prol do saber, do saber fazer, do saber viver com os outros,do inovar e que potencia a aprendizagem.Mas que não pode substituir nem o estudo, nem a observação e a procura da compreensão da natureza.A separação das disciplinas e a falta de organização metodológica entre professores devia ser discutida nas escolas e cada vez mais diluída. As matérias não são estanques. Lucram, antes, se forem interligadas: a biologia não pode ser compreendida sem fundamentos de física e química, da matemática para o desenvolvimento do raciocínio lógico e do português para a expressão e transmissão de conhecimentos. O estudo seria assim facilitado por ser baseado na compreensão e não apenas na memorização.Em termos de organização escolar, para além da preocupação de seguir programase atingir metas curriculares, seria importante que as escolas enquadrassem a possibilidade de levar os jovens a visitar jardins botânicos, museus onde a oferta pedagógica é rica, diversificada e complementar dos programas escolares. As visitas de estudo, desde que devidamente concebidas, bem planeadas e seguidas,oferecem oportunidades de aprendizagem que podem constituir um valor adicional ao ensino em contexto escolar. E se nesse planeamento forem incluídos diferentes professores, o conhecimento será mais duradouro, racional e mais simplificado o estudo em casa. Qual o jovem que não fica marcado por umas horas fora da escola onde a vivência de coisas novas lhe abre horizontes e interesses escondidos por matérias antes odiadas e mal compreendidas?A experiência que o Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural e da Ciência — Universidade de Lisboa — obteve este ano com a oficina de formação sobre a aplicação do método de aprendizagem activa (IBSE — Inquiry Based Science Education) no ensino da biodiversidade teve repercussões muito positivas tanto a nível do sucesso escolar, como na mudançade atitude dos estudantes perante o ensino das ciências.Esta oficina contou com a participação de 20 professores do 2.º e 3.º ciclo do ensino básico de escolas públicas e privadas da região metropolitanade Lisboa, região centro e Alentejo,e decorreu de 21 de Janeiro a 28 de Abril. Durante este largo período os professores foram motivados para aplicar a metodologia IBSE aos seus alunos em sala de aula e saber usar instituições como o Jardim Botânico, para leccionar matérias relacionadas com a biodiversidade, a sua sustentabilidade e conservação em contexto de mudança climática global. Nalgumas escolas professores, da mesma disciplina ou de outra, foram envolvidos emotivados para participar de forma activa na aplicação do método, contribuindo de forma transversal e integradora para o desenvolvimento de planos de aula e para o despertar da curiosidade dos estudantes.O entusiasmo e motivação na pesquisa“contaminaram” alguns pais que, de forma activa e consciente, se envolveram nas actividades que os professores ofereceram após o término da formação.No fim do ano lectivo verificou-se um aumento do sucesso escolar dos estudantes de certos agrupamentos envolvidos.Mas mais importante foi a mudança de atitude. Os professores sentiram-se mais motivados por terem conseguido despertar a curiosidade dos seus alunos e o seu interesse pelo estudo, vontade em colocar questões e capacidade de pesquisa. Acima de tudo, conseguiram transmitir que está neles, jovens estudantes, a capacidade de procurar resolver e solucionar as questões que eles próprios levantam. Não é isto que se pretende, quando se fala em maior e melhor educação? Podia ser este um dos desafios metodológicos a colocar a todo o ensino? Provavelmente não. Mas isso não deve impedir que escolas, professores e associações de pais reflictam e discutam a possibilidade de aplicar o método IBSE como estratégia científica, em prol da melhoria do nível de formação dos nossos jovens.

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