Estratégias para a aprendizagem activa.

Ciências Políticas | NOTÍCIAS INQUIRE

Equipa portuguesa do INQUIRE. | 04/04/14 | Lisboa

 

Estratégias para a aprendizagem activa.

O grupo português ligado ao projecto INQUIRE, Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural e da CIência da Universidade de Lisboa e Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, organizou, no fim de Novembro 2013, um seminário sobre “O papel da aprendizagem activa (Inquiry-Base Science Education IBSE) no ensino das ciências: que vantagens?” Foi endereçado a investigadores, professores, educadores e todas as instituições educativas. O projecto INQUIRE (SCIENCE-IN-SOCIETY-2010 nº 266616) seguiu a política europeia de cooperação através do desenvolvimento e implementação de cursos de formação para professores sobre o método IBSE, focado sobretudo na biodiversidade e alterações climáticas, que afectam o planeta.

O seminário alargou a discussão a todas as ciências e métodos de aprendizagem, com o objectivo de promover a discussão sobre iniciativas que originaram progressos e sucessos educativos. Do seminário, que contou com a participação de mais de 100 pessoas de norte a sul do país, resultou um documento que foi dividido em duas  partes: (i) uma mensagem política, dirigida a entidades responsáveis pelo ensino, pais, encarregados de educação e instituições de ensino, com propostas que permitam medir o sucesso educativo; (ii) medidas estratégicas a serem implementadas a médio prazo. 

1.       A mensagem política

Repensar a educação com vista a melhores práticas de ensino

■      1. Clarificar o significado de aprendizagem activa (“inquiry-based learning IBL”). Importa treinar docentes e incentivar a sua formação a título individual e a nível das comunidades escolares, aumentando a reflexão sobre a sua própria aprendizagem e as suas práticas lectivas. A metodologia IBSE estimula os estudantes a desenvolver os seus conhecimentos epistemológicos, competências sociais e, simultaneamente, a compreensão sobre a complexidade da ciência.

■      2. Estabelecer pontes entre educação formal e informal. Há evidências concretas e comprovadas de que a educação informal, desde que concebida de forma planeada e adequada, oferece excelentes oportunidades de aprendizagem, particularmente por permitir a ligação a conteúdos lectivos dados em sala de aula

■      3. Envolver a comunidade e as famílias em todo o processo de aprendizagem. O envolvimento de um público alargado num projecto educativo requer um sistema educativo que privilegie a formação contínua dos professores e a melhoria da relação entre escola e associação de pais, comunidade científica e cultural. E isto implica a necessidade de uma maior autonomia das escolas.

■      4. Valorizar o papel dos educadores. Os monitores, guias ou educadores dos espaços de aprendizagem fora da sala de aula, enquanto “comunicadores de saberes”, devem ser preparados pelas instituições a que pertencem, e conseguir corresponder a programas educativos que se identifiquem com as principais aspirações dos públicos. Deve-lhes ser conferido reconhecimento profissional e de mérito.

 2.     As medidas estratégicas

Identificação de objectivos e metas centrais à reforma educativa.

Objectivo 1: Métodos educacionais

  1.  Motivação dos estudantes” como indicador de “melhor sucesso”. As escolas necessitam de trocar experiências de como motivar os estudantes e promover a sua criatividade.
  1. Promoção e divulgação do trabalho de investigação individual de cada estudante. O sistema educativo deve ser reorientado a conferir competências aos estudantes a saber colocar questões científicas e incentivar a comunicação de resultados.   
  2. Repercussões sociais da educação. As escolas devem ter papel relevante a nível local e regional para estimular a cidadania e o envolvimento da comunidade, envolvendo os estudantes e as suas famílias no processo de aprendizagem e no progresso educativo com vista a uma maior satisfação e realização pessoal.
  3. Aprendizagem activa. O estímulo de metodologias pedagógicas intelectualmente mais estimulantes e diversificadas pode levar à criação de novas ideias, à melhoria da literacia científica e a hábitos de cidadania  activa entre os jovens.

Objectivo 2: Autonomia das escolas

  1. Aumento de responsabilidades. As escolas devem estimular os docentes a desenvolver metodologias pedagógicas inovadoras desde que previamente planeadas, justificadas e posteriormente autorizadas. 
  2. Quebrar de barreiras entre disciplinas. As escolas devem encorajar a troca de conhecimentos e experiências pedagógicas entre docentes e motivar a partilha e interacção de conteúdos científicos.
  3. Interacção escola/associação de pais. O planeamento escolar deve ser apresentado no início de cada ano aos pais, promovendo a discussão aberta dos problemas e vantagens das opções tomadas.

Objectivo 3: Aprendizagens diversificadas

  1. Estimular uma aprendizagem autónoma. As escolas e os docentes devem estimular a aprendizagem autónoma dos estudantes. Os estudantes devem ser treinados a questionar e a pensar por si.
  2. Aprendizagem formal. Ao promover a metodologia IBSE como conceito, os docentes aumentam as competências dos estudantes e envolvem-nos numa actividade investigativa.
  3. Aprendizagem Informal. As práticas de aprendizagem informal, saídas de campo, visitas guiadas a museus, jardins botânicos, devem ser estimuladas porque podem levar a aprendizagens mais intensas e sistemáticas sobre o mundo real.

Estas medidas estratégicas necessitam ser implementadas a nível regional e nacional, o que inclui a sua discussão ampla entre as instituições de ensino e a sua incorporação em programas e iniciativas educativas.

 

Documento elaborado pela equipa portuguesa do projeto europeu INQUIRE

Faça o download do documento completo aqui.

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